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Como colocar o propósito da sua marca em prática?

Muitas empresas enxergam a geração de valor como a mera otimização de desempenho financeiro e ignoram as necessidades de seus clientes e questões mais essenciais que determinam seu sucesso a longo prazo

Mais do que ter seu propósito exposto em imagens e frases de efeito espalhadas pelos ambientes da organização, as empresas precisam colocá-lo em prática. A integração do propósito à vida da organização é fundamental para garantir o alinhamento entre fala, ação e construção de uma marca única, autêntica e crível – qualidades essenciais para os negócios que desejam se destacar no mercado.

Muitas empresas ainda enxergam a geração de valor como a mera otimização de desempenho financeiro e ignoram as necessidades de seus clientes e questões mais essenciais que determinam seu sucesso a longo prazo. Na era do consumidor hiperinformado e questionador, regida pelo conceito de valor compartilhado, não basta criar uma fachada cheia de propósito se as práticas e iniciativas da empresa não refletirem essas ideias.

O Purpose Collaborative Summit, que aconteceu em outubro em Nova Iorque, reuniu pessoas e empresas especialistas em propósito de marca de diversos países para discutir a evolução e o amadurecimento do conceito de propósito nas organizações ao redor do mundo. Na ocasião, foi possível delinear alguns fundamentos para responder à pergunta que ainda causa dificuldades para muitas empresas: Como definir e colocar em prática o propósito da minha marca?

De dentro para fora

A marca começa do lado de dentro da empresa. Ela é resultado da cultura vivida internamente que direciona as ações, os comportamentos, as atitudes e as decisões dos colaboradores que são refletidas no mercado e na sociedade de diversas formas, em momentos diversos. Uma cultura guiada por um propósito distinto, que expressa uma verdade da organização, é capaz de gerar uma forma única de pensar e agir proprietária, autêntica e, sobretudo, diferenciada. Portanto, em mercados cada vez mais dinâmicos, incertos e mutantes, o propósito e a cultura de uma empresa poderão ser sua vantagem competitiva.

Ativação

Articular o propósito e os valores de uma organização é apenas o começo. Conectar as pessoas ao propósito é fundamental e deve começar com os colaboradores. Quando uma empresa cria espaços e gera experiências que permitem que colaboradores conectem seu propósito pessoal ao propósito da organização, ela ativa uma motivação particular de cada um e profundamente poderosa e transformadora. Os resultados são colaboradores mais engajados, produtivos e realizados. Por isso, a ativação do propósito no nível individual passa a ganhar maior importância. É o que efetivamente garante que todos na organização – do CEO ao estagiário – estejam agindo a partir de um propósito comum.

Mensuração

Um grande desafio que empresas estão enfrentando é o de medir o nível de engajamento dos colaboradores com o propósito da empresa e sua vivência na organização. Por se tratar de uma nova prática, indicadores próprios de propósito e metodologias de mensuração específicas deverão ser desenvolvidos. Um caminho inicial é incorporar questões relacionadas ao propósito a pesquisas que já são realizadas pelas empresas, como a pesquisa de engajamento. 

Autenticidade

Autenticidade e coerência são moedas de alto valor em um cenário em que fenômenos sociais têm levado consumidores a exigirem das marcas posições mais claras sobre assuntos latentes como imigração, diversidade, etnias, gêneros, entre outros. Esta realidade, que encontramos no mercado americano, também pode ser aplicada ao mercado brasileiro. Nesse contexto, marcas que se destacam são aquelas alinham a fala à prática e conquistam legitimidade de defender e se posicionar, aos olhos do consumidor, a respeito de questões importantes. E aquelas que apresentam uma desconexão entre crença e comportamentos acabam ficando expostas. A empresa State Street Corporation, que ganhou destaque mundial ao colocar a estátua da menina na frente do touro da Wall Street, ficou desmoralizada quando a mídia difundiu notícias de que apesar de propagar o empoderamento feminino, a empresa não tem política interna de igualdade entre homens e mulheres. Pegou muito mal. Isso significa que apenas marcas autênticas vão conseguir estabelecer o diálogo.

As empresas estão sendo cobradas por posicionamento, mas também por transparência.

Fonte: Istoé Dinheiro

Liderança: conceito simples destaca a importância do propósito na empresa

Conheça a teoria do “Círculo Dourado” e inspire os colaboradores em sua empresa

Quem lidera a equipe de uma empresa, principalmente, quando leva em consideração a gestão de um supermercado, sabe que o grande número de funcionários, a pressão por resultados e a responsabilidade com clientes geram desafios cotidianos. Neste contexto, a rotina de trabalho, por vezes, se torna repetitiva e desmotiva as pessoas. Nosso blog traz hoje um conceito simples que pode resgatar todo o espírito de uma liderança engajada.

O autor do bestseller “Por quê? Como Grandes Líderes Inspiram Ação”, Simon Sinek, diz ter descoberto a “ideia mais simples do mundo” para uma liderança mais eficaz. Trata-se do Golden Circle, ou Círculo Dourado, que usa como referência grandes líderes e organizações influentes.

De acordo com Simon, escritor e consultor de Gestão e Liderança norte-americano, o objetivo da teoria é aliar a ação ao propósito, a partir de um padrão seguido por grandes líderes da história, como Martin Luther King Jr, ou mesmo uma das companhias mais valiosas do mundo – a Apple -, para inspirar as pessoas a realizarem uma ação. Todavia, isso só acontece quando as pessoas encontram a motivação certa para fazer algo.

Veja como Simon Sinek explica a teoria:

Propósito: Pense Diferente

Simon usa como exemplo a Apple. O especialista explica que a empresa, uma das mais valiosas do mundo, usa a crença em desafiar o lugar comum por meio da criação de produtos bem projetados, práticos e inteligentes. Ou seja, é muito mais do que uma fábrica de computadores e tecnologia, mas também uma empresa que vende um conceito – uma nova ideia. Isso é refletido em seu slogan: Think Different (Pense diferente).

“O objetivo não é fazer negócios com todo mundo que precisa do que você tem, e, sim, fazer negócios com pessoas que acreditam no que você acredita”, conta em sua Ted Talk.

Martin Luther King Jr: Por quê?

O líder do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, nos anos 50, Martin Luther King Jr, é outro exemplo que alia um propósito à mensagem. Todo o discurso de Martin reflete a importância de um “por quê?” em suas ações.

Segundo Sinek, o ícone abordava o problema do racismo com foco em seus propósitos pessoais.

“E, a propósito, ele fez o discurso ‘Eu tenho um sonho‘, e não ‘Eu tenho um plano’”, diz Simon.

O consultor, porém, não defende que um plano seja menos importante, porém, ressalta o sonho engajará outras pessoas no seu projeto ou mesmo no seu produto. Daí vem à importância do Círculo Dourado.

Círculo Dourado

A ferramenta criada por Simon é simples: trata-se de três círculos, um dentro do outro. O maior significa “o que” você faz (quais são seus produtos e serviços ou sua função individual). O do meio é “como” você faz tal coisa (sua proposta de valor ou diferencial, por exemplo). Por último, e mais importante, o círculo central é o “por que” você faz aquilo.

O “por que” poderia ser facilmente respondido pela conquista de lucros, porém, Sinek revela que essa resposta não serve, pois isso é um resultado, uma consequência. “Quero dizer: qual é seu propósito? Qual é a causa? Qual é a sua crença? Por que sua organização existe? Por que você sai da cama de manhã? E por que alguém deveria se importar?”

Simon revela que esse deve ser o primeiro passo de toda a organização. Para ele, é fundamental que o líder acredite no seu emprego ou na organização com que se envolve. Quando esse gestor trabalha em um lugar em que acredita, não trabalha só pelo salário, sendo motivado também por um alinhamento de valores. A diferença aparece na performance e no engajamento dos seguidores.

Segundo Simon: “Há líderes e há aqueles que lideram. Os líderes têm uma posição de poder ou autoridade. Mas aqueles que lideram nos inspiram. Sejam indivíduos ou organizações, nós seguimos aqueles que lideram, não porque temos de seguir, mas porque queremos seguir. (…) E esses que começam com “por que” possuem a habilidade de inspirar aqueles a sua volta ou encontrar aqueles que os inspiram.”

 

Fonte: APAS

Performance do bem: o caso Beleza Natural

Leila Velez montou um pequeno salão na periferia do Rio de Janeiro para empoderar mulheres negras pela autoimagem; ele virou a maior rede especializada em cabelos crespos do Brasil e se prepara para ganhar o mundo

 

Fundado em 1993, o Instituto Beleza Natural surgiu de um problema vivido pelas sócias Leila Velez e Zica Assis, que sofriam preconceito no trabalho por conta de seus cabelos crespos. Da intenção de resolver apenas a questão da autoimagem até a criação da maior rede de salões de beleza do Brasil especializada em cabelos ondulados, cacheados e crespos, a marca sempre se manteve fiel a um propósito: o de promover a autoestima ao cuidar dos cabelos.

Hoje, o Beleza Natural possui 45 unidades espalhadas por cinco estados brasileiros, emprega 3 mil colaboradores e atende mais de 130 mil pessoas todos os meses. Com uma filosofia orientada totalmente ao cliente, um laboratório de pesquisa e desenvolvimento e uma fábrica de cosméticos, parte ainda este ano para uma expansão internacional com a abertura de uma filial em Nova York.  “O desafio agora é transformar o Beleza Natural em uma multinacional da autoestima, sem perder nosso propósito”, diz Leila Velez, cofundadora e presidente da empresa, a HSM Management.

Atualmente há cada vez mais movimentos em defesa de um capitalismo mais consciente, ético e responsável, no Brasil e no mundo. O Beleza Natural é ativista? 

Sim, nossas práticas estão alinhadas com essa ideia de empresa que equilibra lucro com responsabilidade social. E acho que eu pessoalmente sou uma ativista também. Fui conselheira do Instituto Ethos, participo do Women’s Global Forum e integro o grupo Young Global Leaders, do Fórum Econômico Mundial, de Davos.

Qual o propósito do Beleza Natural?

Sabemos, pela própria experiência de vida, quanto a aparência pode influenciar a autoimagem. A beleza é uma ferramenta para o empoderamento feminino. Queremos que as pessoas se enxerguem sem a prisão dos estereótipos, com a força da autoestima.

Como a empresa atende a esse propósito? 

Vamos muito além da venda de produtos e serviços; o Beleza Natural é sinônimo de oportunidade. Por exemplo, de nossas colaboradoras, cerca de 80% eram nossas clientes quando foram convidadas a fazer parte da equipe e 90% estão em seu primeiro emprego. A empresa não exige experiência profissional para a maioria das vagas e oferece treinamento às recém-contratadas.

Damos também a oportunidade de profissionalização sem custo. Nossas colaboradoras são contratadas e passam a receber salários e benefícios desde o primeiro dia, mesmo enquanto estão em formação. Elas ganham uma profissão técnica e ainda aprendem sobre gestão, qualidade, trabalho em equipe e relacionamento com os clientes.

Essas práticas explicam os resultados financeiros ou o lucro viria de qualquer modo? 

O sucesso da empresa vem de um círculo virtuoso de melhoria de vida para nossa equipe e para nosso público. Nossa política impacta positivamente em clientes mais fiéis, em menor turnover de colaboradores e na contribuição de uma equipe engajada e participativa. A maioria de nossos novos produtos, por exemplo, vem de sugestões das colaboradoras, nascidas de sua relação diária com as consumidoras. Desejos e dúvidas viram soluções por meio dessa ponte com nosso P&D. Esse modelo baseado em propósito é que sustenta a vantagem competitiva da marca e o crescimento, inclusive internacional.

Como a empresa estrutura sua gestão em torno desse propósito? 

Formamos times por unidade de negócios com representantes de cada função, sempre com o objetivo de promover a excelência e a inovação. Como eu disse, nossas colaboradoras participam da geração de novas ideias para processos, produtos e serviços, bem como novas maneiras de melhorar a experiência das clientes nos institutos. Nós as incentivamos a estudar e assumir posições de liderança na organização – temos parcerias com universidades para que elas recebam descontos de até 70% nas mensalidades. Mais da metade das posições de liderança é ocupada por colaboradoras que começaram no Beleza Natural como seu primeiro emprego.

Um dos desafios das empresas é mostrar que seu propósito não é só marketing. O Instituto Beleza Natural mostra? Como? 

Formamos uma comunidade do Beleza Natural – um ambiente de motivação, estímulo e ajuda mútua. Para a formação de nossas colaboradoras, mantemos Centros de Desenvolvimento Técnico (CDTs) em cada um dos estados em que estamos presentes. Neles diariamente são ministrados cursos técnicos e comportamentais e oferecidos tratamentos gratuitos para a população de baixa renda, atendida pelas colaboradoras em treinamento.

Trazemos médicos, professores, psicólogos e outros profissionais para fazer palestras para nossa equipe e nossas clientes sobre assuntos variados, como empregabilidade, prevenção a doenças etc. Enquanto aguardam pelo atendimento, as clientes aprendem e multiplicam esses conhecimentos em sua rede familiar e em suas comunidades.

Fonte: revista HSM