Categoria - Mercado e cliente

Tommy Hilfiger mostra o valor de ter a inovação no DNA

Na NRF Big Show, Tommy Hilfiger revela como ouvir o cliente tem feito a marca se renovar constantemente e se manter relevante

 

Ao ultrapassar os 40 anos no mercado, a marca de moda Tommy Hilfiger continua tão atual quanto era em seu nascimento. Ao longo do tempo, a empresa soube mudar seu posicionamento e deixar de ser uma empresa de vestuário, ampliando seus horizontes para a sigla FAME (“fama”, em inglês): fashion, arte, música e entretenimento. “Você precisa evoluir sua marca sem perder sua base de clientes e isso é um grande desafio”, afirmou Tommy Hilfiger, o fundador da marca, durante a NRF Big Show, na semana passada em Nova York. Para conseguir fazer isso, e de forma consistente ao longo de décadas, o segredo é tão simples que não deveria ser novidade para ninguém: ouça o cliente. “Este é o caminho: esteja próximo do consumidor para antecipar as tendências”, comentou.

Esse não é, porém, um caminho sem riscos. Muito pelo contrário. Para continuar a ser interessante e instigante, a Tommy Hilfiger tem que usar e abusar da criatividade, o que implicar ousar e errar. “Corremos riscos, mas sem risco não há recompensa”, disse. “Para anteciparmos o que os clientes querem e nos mantermos à frente dos concorrentes, precisamos assumir riscos. Correr atrás da concorrência nunca foi uma opção para nós”, afirmou o empresário.

Educação à distância e varejo: uma excelente combinação

Qualificar os colaboradores de forma rápida e com custos baixos é essencial para garantir a competitividade das empresas do setor

 

Cristiane LacerdaPor Cris Lacerda, diretora da Évolus

 

Um relatório divulgado em 2016 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que o Brasil tem o segundo maior número de estudantes com baixa performance em matemática básica, ciências e leitura, em uma lista de 64 países do mundo. Embora o País seja um dos países que mais investem em educação no mundo e a situação tenha melhorado em relação às décadas anteriores, ainda há desafios estruturais a resolver.

Isso faz com que uma população com sérias deficiências educacionais chegue à idade de trabalho, colocando na mão das empresas uma necessidade adicional de realização de treinamento. Por isso, o investimento em qualificação profissional está entre as principais características das principais empresas para trabalhar, não importa qual seja o setor da economia. É praticamente senso comum que colaboradores mais qualificados aumentam a competitividade das empresas, mas, ao mesmo tempo, é preciso ultrapassar grandes obstáculos, como a rotatividade das equipes, a distância geográfica entre as unidades da empresa e os altos custos de atualização dos materiais de ensino.

Essa situação se mostra de forma ainda mais intensa no varejo: seja em lojas independentes ou em redes de abrangência nacional, a dificuldade de dedicar parte do salário ao ensino complementar e o fato de que muita gente ainda encara a atuação no setor como uma atividade temporária desestimulam a educação no setor. Nos últimos anos, porém, a profissionalização do varejo e os avanços tecnológicos têm transformado esse cenário.

Com o amplo acesso da população a telefones celulares, os cursos online (EAD) têm crescido como uma alternativa mais barata, rápida e acessível de acesso a conteúdos importantes para o desenvolvimento profissional. Em vez de enfrentar trânsito para ir até uma sala de aula no final de um longo dia de trabalho, o profissional pode receber conteúdo em pílulas, acessá-lo em qualquer intervalo do expediente e, assim, incorporar esse aprendizado mais rapidamente.

Para as empresas, as vantagens são claras: treinamentos em larga escala se tornam mais viáveis, uma vez que não é preciso reunir grandes equipes em um único lugar, e o custo de distribuição do conteúdo cai consideravelmente. Além disso, a interatividade trazida pelos recursos digitais proporciona um aprendizado muito mais dinâmico, com fóruns, chats e a participação ativa de tutores, professores e alunos.

A composição de conteúdos “em pílulas”, adaptados às necessidades de um público que tem pouco tempo para se atualizar e nem sempre possui planos ilimitados de acesso à internet, facilita a absorção das informações, ao mesmo tempo em que oferece aos alunos a flexibilidade de estudar apenas aquilo que mais importa naquele momento. Especialmente no Brasil, em que grande parte da população tem que lidar diariamente com as limitações de espaço de seus smartphones, várias empresas desenvolveram plataformas 100% web, para que os alunos não precisem baixar aplicativos e, assim, simplifiquem o acesso às aulas.

No exterior, empresas como Udemy, Coursera e Codecademy, assim como a EduK no Brasil, oferecem milhares de cursos online que, de forma simples e prática, aceleram o aprendizado e proporcionam uma formação profissional 100% gerenciada pelo aluno, que escolhe, entre as opções disponíveis, aquelas que mais se adequam aos interesses e possibilidades financeiras naquele momento. Com foco no varejo, a Évolus cria novas oportunidades de aceleração do aprendizado no setor que é o maior empregador privado do Brasil, com baixo custo. Além dos cursos disponíveis ao público em geral e muito acessíveis (tanto financeiramente quanto pelo baixo consumo de dados), a plataforma também é customizável para empresas, que podem dispor de uma solução personalizada de baixo custo e alta penetração para criar programas de treinamento totalmente adaptados à realidade de seus negócios.

Hoje, capacitação e treinamento são estratégicos para que as empresas se diferenciem no mercado. Qualificar os colaboradores de forma rápida e com custos baixos é essencial para garantir a competitividade do varejo.

Lojas ainda estão nos anos 90, diz KPMG

“A gente compra na loja física basicamente como comprávamos na década de 90.” Essa é a percepção de Frank Meylan, sócio da KPMG. O consultor avalia que o varejo nacional ainda está atrasado, mas que o movimento para recuperar o tempo perdido e entrar de vez na era digital acelerou em 2017 e deve seguir nessa toada em 2018.

Meylan crê que a crise econômica ajudou a retardar a transformação digital no varejo e algumas tecnologias já disponíveis estão demorando para entrar no mercado. Ele destaca o rastreamento de clientes na loja física, que permite conhecer as posições mais visitadas da loja, além de sistemas que identificam o cliente assim que ele cruza a porta e passar suas informações de consumo ao vendedor.

O setor bancário é apontado pelo consultor como o grande case nacional de transformação digital, que conseguiu, depois do internet banking, o que parecia impossível, criar uma sensação de fidelidade entre bancos e clientes. Os bancos conseguiram reduzir consideravelmente as reclamações relacionados ao pesadelo de passar horas esperando em uma fila, por exemplo, e fizeram de seus sites  e aplicativos o laço capaz de segurar o consumidor junto à instituição.

 

Atendimento personalizado no varejão

Os sistemas de obtenção de dados e análise prometem oferecer a oportunidade aos grandes varejistas de desenvolver uma relação muito mais próxima com os milhões de consumidores que frequentam suas lojas.

O Big Data permite acesso preciso aos hábitos de consumo de cada um dos clientes, entregando a eles promoções específicas, como se recebessem um encarte personalizado, com descontos exclusivos para aquele produto que ele consome mais. Tudo isso a partir de um programa de fidelidade e um aplicativo.

A KMPG tem apostado em sistemas de digitalização de rótulos para atender a tendência cada vez mais pujante de personalização do atendimento nos grandes varejistas de alimentos. A ideia é colocar dentro do smartphone do consumidor informações detalhadas das propriedades daquilo que ele está consumindo, promovendo e explorando o consumo consciente.

Além de entregar informação ao consumidor, o sistema permite ao varejista conhecer o comportamento das pessoas e criar uma engenharia de tráfego dentro da loja. “Se eu tenho a informação, posso direcionar meu cliente dentro da loja, colocando-o em contato com os produtos que ele prefere de acordo com a sua orientação. Se ele for vegano ou vegetariano e quiser compartilhar essa informação, ele vai ser direcionado para os alimentos que respeitam essa orientação”, explica Meylan.

Fonte: NoVarejo

Treinamento corporativo é o segredo das melhores empresas para se trabalhar

A edição de 2017 do ranking das “50 Melhores Empresas para Trabalhar no Paraná”, promovido pelo Great Place to Work em parceria com a Gazeta do Povo, ocorreu em novembro e destacou grandes nomes como Gazin e Lojas MM entre as cinco primeiras colocadas. A preocupação com o bem-estar dos funcionários e investimento em treinamentos corporativos é constante nas duas redes.

“De forma geral, os gestores já têm ciência de que funcionários felizes e engajados são meio caminho andado para o sucesso das organizações. Os novos recursos tecnológicos e a evolução do EAD tornam possível a execução de treinamentos e capacitação em empresas dos mais variados portes”, comenta Wagner Oliveira, CEO da Woli, referência em ensino corporativo à distância.

A maioria das empresas premiadas apostou em soluções que aproximam ou transformam a vida do funcionário de alguma forma. Segundo a pesquisa feita pela premiação, 72% dos profissionais foram envolvidos pelos chefes em decisões que afetam suas atividades e seu ambiente de trabalho e 44% receberam mais de três feedbacks no ano.

Eleita pela sexta vez em 1º lugar no ranking do Great Place to Work, a Gazin aposta na transparência e na valorização dos funcionários. Cerca de 90% dos cargos mais altos são ocupados por quem começou na empresa. Preocupada com o desenvolvimento de seus funcionários a empresa implantou uma universidade corporativa, a UniGazin, que permite que eles desenvolvam suas competências e que estas estejam alinhadas com as metas e objetivos da organização. Para facilitar a seleção e monitoramento do desempenho desses colaborades, a empresa se utiliza de uma série de recursos tecnológicos desenvolvidos pela Woli.

“Os treinamentos em EAD utilizados para a Gazin envolvem um sistema de mensuração de resultados automático. Assim que o colaborador termina o seu treinamento, que é interativo, o gestor tem acesso ao resultado, conseguindo assim mensurar seu desempenho e evolução. Esse recurso facilita o acompanhamento do plano de carreira do funcionário”, explica Oliveira a respeito do serviço.

Para a Lojas MM, que ficou em 5º lugar no ranking, a solução foi investir em capacitação. A empresa criou a UniMM, um centro de treinamento voltado para apresentar novidades relacionadas à potencialização das vendas. Além do local físico, a empresa aposta em um aplicativo próprio, no qual os funcionários têm acesso a vídeos e dicas a qualquer hora do dia em seus smartphones.

“Chamamos de pílulas do conhecimento as dicas e vídeos disponibilizados no aplicativo. O cérebro tende a fixar melhor informações mais simples e diretas, por esse motivo o recurso funciona tão bem. O funcionário vai direto no tema que precisa saber mais e o aplicativo leva a ele a informação que procura”, finaliza Wagner.

Fonte: Terra

A sua empresa está preparada para uma gestão 4.0?

A empresa 4.0 exige uma gestão 4.0 – voltada completamente às expectativas do cliente.

 

Vamos falar, aqui, de um tema desafiador: a indústria 4.0, também conhecida como Quarta Revolução Industrial. A primeira revolução, como sabemos, teve início com as máquinas a vapor. A segunda, com as linhas de montagem, um conceito colocado em prática por Henry Ford há um século. A terceira ocorreu na década de 1970 com a chegada de computadores. E a quarta, que vivenciamos hoje, vai além da integração de equipamentos e robôs. Ela consiste em algo bem mais complexo: a análise e a integração de todo o ciclo de vida de um produto ou processo, criando uma ponte para que o cliente passe a influenciar no sistema de fabricação, no desenvolvimento de produto e na integração destes.

O problema é que, enquanto se adapta a essa mudança (um estudo recente feito pela Confederação Nacional da Indústria mostra que apenas 48% das empresas industriais do País utilizam pelo menos uma tecnologia digital), o brasileiro já tem que se preparar para outra.

Trata-se da Empresa 4.0, que nos próximos cinco anos vai exigir que as companhias interajam de acordo com as expectativas dos seus clientes. O desafio é ainda maior se considerarmos que a gente mal consolidou o omnichannel, que ao contrário da multinacanalidade diz respeito a canais 100% integrados.

Em suma, se estamos na era da Indústria 4.0 vamos ter que nos preparar também para a gestão de uma nova empresa: a 4.0. Nela, o conceito de omnichannel passará a fazer parte das diferentes áreas da organização – do desenvolvimento de um produto ao delivery. Ao que tudo indica, em um futuro breve, cada consumidor terá o seu Assistente Virtual Pessoal (AVP) – um AVI que por meio da Internet das Coisas vai fazer a interface entre empresas, fornecedores e consumidores que serão providos de produtos de acordo com o seu ritmo de consumo. Não à toa, o CRM terá que ser muito mais ativo, pois terá que conhecer os hábitos dos consumidores.

O surgimento deste modelo de empresas 4.0, com uma gestão 4.0, vem, justamente, da necessidade que o consumidor tem de falar e de interagir. A indústria precisa entender isso. Temos várias pontas soltas e devemos atar esses nós para fazer uma entrega cada vez mais customizada e proativa. Quem não se preocupar com isso agora será engolido no futuro.

*Por Guilherme Porto, CEO da Plusoft

Fonte: Consumidor Moderno

Prospectar e vender: cada um em seu lugar, com foco no cliente

A história pessoal de Aaron Ross – autor dos livros Receita Previsível e Hipercrescimento ­– é indissociável de sua trajetória. Em pouco tempo, ele passou de um homem solteiro para um homem com nove filhos – dois da esposa, três do casal e outros quatro adotivos. Como conseguir uma receita previsível, capaz de dar conta dessa família imensa, e ainda tendo tempo para curtir as crianças e a vida a dois?

Ross trabalhava na Salesforce.com e começou a observar que seus melhores clientes tinham as mesmas características:

  1. um produto ou serviço de qualidade;
  2. queriam crescer;
  3. algumas já tinham crescido dez vezes;
  4. algumas tinham fracassado, mas permaneciam ligadas a seu propósito.

Ross então estudou a comunicação dos vendedores dessas empresas com seus clientes, criando um plano estruturado para chegar aos melhores clientes possíveis, dentro de um nicho específico. “A ideia é ter um peixe grande, mesmo que o aquário inicialmente seja pequeno. É mais fácil aumentar o tamanho do aquário do que o do peixe”, afirmou na Master class Vendas realizada no Hotel Transamérica em 17 de agosto.

A cada momento da empresa, é importante buscar um tipo de vendedor. No caso de startups e de empresas novas, o vendedor mais adequado é o evangelista, o visionário, já que muitas vezes o produto em si nem está totalmente pronto; quando a empresa começa a se estabelecer, é preciso um vendedor que consiga instituir o processo e tornar as vendas replicáveis. Vem então o terceiro tipo de vendedor, que é aquele que se dispõem a fazer a empresa crescer. Por fim, em uma grande empresa, com grandes equipes, o líder de vendas é o sr. planilhas, aquele que trabalha com os controles e não mais com as pessoas. Em todos os momentos, é preciso aprender com eles.

Ross também descobriu que o vendedor não é necessariamente a pessoa que prospecta clientes e gera leads. Equipes de marketing e vendas, portanto, precisam andar juntas nesse processo, combinando marketing de conteúdo e prospecção outbound. Quanto mais especializada é cada uma das equipes, mais previsibilidade é possível obter, acredita.

E tudo isso exige tempo. Quanto? No mínimo seis meses para reestruturar uma equipe de vendas já existente ou desenvolver um ou dois vendedores e uma pessoa júnior para gerar os leads. “Quando você divide as funções de prospecção e vendas, especializando cada equipe, você tem certeza de que seus clientes são bem atendidos. Quando as pessoas fazem tudo, elas não dão atenção real a nada”, afirma.

Em uma grande empresa, é preciso planejar o período de transição entre o modelo existente e a nova forma reestruturada de vender. “As pessoas assim se sentem seguras e respeitadas, e vão apoiar e não lugar contra as mudanças.”

A geração de leads atualmente é a grande alavanca dos negócios. Ela ocorre de três formas: com lanças (outbound), sementes (boca a boca) e redes (marketing). “Qual é a mais importante em sua empresa?”, pergunta Ross.

Todas elas se complementam. As sementes servem para ajudar a focar o disparo das lanças, assim como a realização de eventos de marketing.

Como os resultados não são rápidos e o contato com as redes sociais sempre gera ansiedade, já que deixa visível a concorrência e a busca por leads, Ross é categórico ao afirmar que é preciso abraçar a frustração. “Faz parte do crescimento, parte da mudança. Se você quer obter resultados rápidos, vai ficar frustrado. Então é preciso vê-la como uma oportunidade – toda empresa, na verdade, começa a partir de uma frustração, de uma necessidade.”

Ross abordou cada tipo de prospecção de vendas – envio de e-mails, redes sociais, contatos telefônicos – de maneira detalhada, reforçando a necessidade de se manter um controle e de se cuidar dos clientes de forma individualizada.

Ao longo do evento, os participantes foram convidados a discutir em grupo os exercícios propostos por Ross e um grupo de representantes de empresas que já trabalham com as diretrizes de Aaron Ross realizaram uma roda de discussão sobre a implementação dos conceitos que já fizeram em suas empresas. Todas concordam em um ponto: foi possível estabelecer métricas e assim realmente mensurar a efetividade da mudança de mentalidade para a prospecção de vendas, de forma orgânica e com resultados visíveis.

Fonte: HSM

Planos para 2018 contam com melhora na economia

Os sinais de recuperação da economia surtem efeito positivo sobre as expectativas dos empresários. Estudo da FecomercioSP aponta que, em outubro, o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) teve alta de 1,1% e atingiu 150,8 pontos, maior pontuação registrada desde dezembro de 2013.

Segundo a entidade, o indicador que mede as expectativas do empresário em relação ao futuro também atingiu a maior pontuação dos últimos quatro anos. No comparativo anual, tanto as pequenas como as grandes empresas registraram crescimento na confiança, de 16% e 15,3%, respectivamente.

É nesse clima positivo que os empreendedores estão traçando planos para o próximo ano. CEO e sócio-fundador da Enviou – startup voltada à operação de e-commerce, que oferece soluções de e-mail marketing para a recuperação de carrinhos abandonados nas lojas virtuais –, Felipe Rodrigues diz que até o momento, a empresa atende 26 mil lojas e planeja expansão para a América Latina, a partir do próximo ano. “Estamos iniciando a integração do nosso sistema com plataformas da América Latina. Já estamos integrados com o Mercado Livre da Argentina, México e Colômbia. Há uma semana, começamos a atender 40 lojas instaladas nesses países”, conta.

Além da expansão, em 2018 a Enviou também vai investir cerca de R$ 200 mil no redesenho da ferramenta. “Queremos facilitar a utilização do produto, proporcionando aos nossos clientes uma melhor experiência”, afirma Rodrigues.

A ampliação da equipe também faz parte do planejamento. “Vamos contratar três vendedores experientes, porque queremos conquistar clientes maiores, e mais três pessoas para a área de atendimento.”

O empresário conta que a crise foi positiva para o negócio, porque muitas pessoas procuraram uma forma alternativa de ganhar dinheiro e montaram loja virtual.

“Para nós foi ótimo, porque nosso serviço ajuda a vender mais. Enviamos e-mail marketing para clientes que deixam carrinhos abandonados nas lojas online, para que eles voltem ao site e concluam a compra.”

Rodrigues conta que, por dia, são criadas 1,5 mil lojas online no Brasil.

“Fizemos essa estatística com base nos dados das 14 empresas que oferecem plataforma para e-commerce e são nossas parceiras.”

No mercado há dois anos, a Enviou faturou R$ 350 mil no primeiro ano de atividade. Em 2017, deve chegar a R$ 900 mil e no próximo ano prevê faturamento de R$ 2,5 milhões.

O clima de otimismo é estimulante para os negócios, porém o sócio-diretor da Prosphera Educação Corporativa, Haroldo Eiji Matsumoto, afirma que ter cautela nesse momento é a alternativa mais adequada.

“É preciso ter cuidado na hora de definir como serão alocados os recursos e esforços da empresa. Por outro lado, a crise também trouxe à tona a ineficiência de alguns negócios e, por esse motivo, há espaço para que empresas bem estruturadas possam avançar e conquistar novos clientes.”

Segundo ele, o planejamento exige dedicação, esforço e disciplina. “O empreendedor que conseguir implantar a cultura do planejamento irá colher frutos em longo prazo e se blindar das intempéries do mercado. Um bom planejamento dá ao empresário o controle sobre os rumos do negócio”, ressalta.

Matsumoto diz que muitos empreendedores acreditam que fazer planejamento é importante apenas para grandes empresas, o que não é verdade.

“O planejamento é uma ótima estratégia para os pequenos negócios, por terem menos recursos e, muitas vezes, poucas reservas, ou seja, não podem errar na gestão empresarial.”

Falta de reserva não é problema para o sócio-fundador da Betalabs – especializada em software de gestão para o comércio eletrônico –, Luan Gabellini, que projeta crescer 70% em 2018.

“Utilizamos o período mais acentuado da crise para refazer a tecnologia e lançar um produto reformulado em 2018. No lugar de demitir, aproveitamos que tínhamos uma boa equipe já formada e realocamos o pessoal para redesenhar a ferramenta”, conta.

Gabellini diz que investiu R$ 1 milhão para desenvolver o novo software. “Isso só foi possível porque a empresa estava saudável, sempre nos preocupamos em manter uma reserva para períodos difíceis. Entramos em operação em 2011 e vínhamos dobrando o faturamento a cada ano. Em 2016, o ritmo foi mais lento e, neste ano, vamos crescer cerca de 20%.”

Formado em administração, Gabellini considera que o otimismo, de alguma forma, ajuda a estimular a atividade econômica. “Tenho essa sensação como empreendedor, mesmo sabendo que se um professor que me deu aula na Fundação Getúlio Vargas me ouvir falando isso ficará bravo. Mas acho realmente que a boa expectativa interfere no resultado da economia.”

Segundo ele, investir na reformulação do produto foi importante para deixá-lo mais barato e tornar o negócio mais competitivo, atraindo empreendedores que não têm tanta capacidade de investimento. Além de permitir a venda online, a ferramenta também faz gestão financeira, gestão fiscal e emissão de notas fiscais.

“O software antigo custa entre R$ 20 e R$ 50 mil. O novo, entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Estamos implantando a nova ferramenta nos clientes que já temos. Em fevereiro, vamos passar a vender o novo modelo.” A Betalabs atende 320 clientes e pretende fechar 2018 com mais 100 novos.

A startup FX Retail Analytics, de Walter Sabini Junior, nasceu em 2015 e oferece tecnologia que mede o fluxo e o comportamento de consumidores e vendedores em lojas físicas.

“Mesmo estando no mercado há dois anos e contarmos com 1,2 mil clientes, passamos pelo período de crise tendo como proposta ajustar a ferramenta. Ainda assim, crescemos em vendas, porque o mercado quer e demanda esse tipo de produto”, conta.

Com a retomada da economia, o empresário planeja ampliar o número de clientes e iniciar o ano novo com foco na força comercial. “Nosso planejamento prevê, a partir do próximo ano, investimento em marketing e vendas, para que possamos escalar o produto no varejo. Hoje, já temos clientes com 100% da rede de lojas monitoradas.”

O produto, segundo ele, mostra aos varejistas se a equipe de vendas está ou não tendo bom desempenho. O empresário também consegue entender se as ações de marketing estão gerando impacto e promovendo o aumento de fluxo, e se esse fluxo é de qualidade.

“Nossa ferramenta deixa claro para o varejista como está sendo o fluxo de clientes. Caso tenha problemas de queda no faturamento, ele poderá saber se o problema é relacionado ao ponto de venda ou se é por conta da ineficiência da equipe.”

Sabini Junior afirma que uma loja pequena pode implantar o sistema pagando mensalidade de R$ 149. “Dependendo do número de lojas de uma rede, a mensalidade pode sair por R$ 99. O produto se paga facilmente, porque ao corrigir a ineficiência do negócio, o varejista aumenta a sua rentabilidade.”

Empresários ajustam produtos para crescer

A FX Retail Analytics planeja fechar 2017 com 1,3 mil clientes e chegar ao final de 2018 com mais que o dobro de usuários. “Nosso planejamento estratégico tem como objetivo chegar a dez mil pontos até o final de 2020. Agora, estamos trabalhando para que a ferramenta possa passar mais informações de forma preditiva”, conta.

Fundador da Verity – especializada em consultoria e desenvolvimento de plataformas –, Alexandro Barsi considera que o período de crise é bom momento para se reinventar.

“Em 2016, por causado período de recessão, deixei claro para os funcionários que não iríamos buscar novos clientes, mas apoiar os clientes que já tínhamos. Também aproveitei o período para implantar novos processos de controle interno, que resultaram em aumento na eficiência”, afirma.

Ele conta que fechou 2016 com crescimento de aproximadamente 30% em relação ao ano anterior. E mesmo mantendo o foco do negócio na base de clientes, aumentou a carteira.

O negócio deve fechar 2017 com o mesmo porcentual de crescimento. “Para 2018, a meta é crescer pelo menos 30% e contratar novos executivos. Em 2017, praticamente dobramos o número de clientes, passando de 12 para 20 clientes ativos”, afirma.

Barsi diz que em 2018 também pretende fortalecer a relação com os clientes que necessitam de apoio para passar por esse momento de transformação digital nas empresas.

Porém, para que o negócio siga crescendo nos próximos anos, o empresário optou por investir na contratação de uma consultoria.

“Achei melhor contratar especialistas para nos ajudar a fazer um planejamento estratégico para os próximos três anos. Há três meses, estamos pensando sobre o que queremos para os próximos anos, para que direção o mercado vai apontar, qual será a próxima onda etc.”

Fonte: Varejista.com.br

Tecnologias emergentes que revolucionarão o varejo

A próxima década terá mais uma onda tecnológica que poderá reinventar os processos

Entre as diversas ações que podem aumentar a produtividade, ampliar a experiência do consumidor e reduzir as perdas, o investimento em novas tecnologias que chegam ao mercado pode ser a solução para o supermercadista, uma vez que muitas delas estão prontas para otimizar ainda mais os serviços de uma maneira geral.

Muitas inovações já ajudam varejistas de todo o mundo na operação das lojas. Apesar disso, várias delas ainda não conseguiram deslanchar no Brasil – seja pelo alto custo ou simplesmente pela falta de conhecimento sobre os benefícios em questão.

No Brasil, espera-se que algumas dessas tendências ganhem força nos próximos anos, isso porque algumas startups usam tais tecnologias consideradas emergentes por aqui, como por exemplo, a inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, big data e analytics.

O Brasil está preparado? 

Segundo o levantamento da Liga Ventures, aceleradora corporativa, o País está se preparando para a adoção dessas novas tecnologias. O Estudo, denominado Liga Insights Emerging Technologie, aponta que, atualmente, 193 startups brasileiras trabalham com algumas dessas tecnologias emergentes.

As regiões que mais estão desenvolvem empresas ligadas a essas tecnologias são: São Paulo (concentrando 48% dessas startups), Minas Gerais (14%) e Santa Catarina (10%).

Veja quais tecnologias estão em alta em startups e prontas para ganhar o varejo:

Inteligência artificial (AI), Machine Learning, Deep Learning e Chatbots

A missão é ajudar as empresas a identificar e processar padrões, imagens, além do reconhecimento de fala, movimentos, linguagens, conversas, entre outros.

Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR)

Essas tecnologias de realidade aumentada e virtual podem desenvolver soluções e equipamentos que permitem interatividades entre o mundo virtual e real, por meio de tecnologias de projeções.

Big Data e Analytics

Com plataformas e soluções, a tecnologia de Big Data e leitura de dados ajudará as companhias a reunirem, organizarem e estruturarem grande volume de dados. A consequência disso é a possibilidade de tomar decisões mais assertivas em muito menos tempo.

Cleantechs e Smart Cities

As Cleantechs são startups com produtos e serviços desenvolvidos com o objetivo de melhorar a produtividade, desempenho, operação e eficiência, enquanto reduzem custos, facilitam processos e diminuem desperdícios – tudo isso de forma sustentável.

Drones e VANTs

Sistemas que usam Drones e VANTs para mapeamento, fabricação de equipamentos, inteligência espacial ou de educação na área, são uma das tendências do mercado.

Internet das Coisas (IoT)

Trata-se da inovação que conecta objetos para conversar entre si, sem a interferência humana. As soluções com conectividade de objetos com a internet, cuja tecnologia embarcada coleta e transmite dados, é atualmente a preferida das startups brasileiras.

 

Fonte: APAS

Especialistas mostram como acelerar as vendas no fim de ano

Para Eduardo Terra e Edmour Saiani, é preciso trabalhar estrategicamente a Black Friday, para que ela movimente o estoque sem corroer margens

 

Este fim de ano será o melhor desde 2014, com um crescimento entre 5% e 10% nas vendas. Mais que vender, porém, o varejo precisa vender bem. “O período entre a Black Friday e o Natal não é somente uma oportunidade para reverter o desempenho ruim do passado: é também uma forma de conquistar o cliente para 2018”, comenta Eduardo Terra, presidente da SBVC, que participou ontem (21/11), ao lado de Edmour Saiani, de um live no Facebook promovido pela Évolus.

Para Terra, é preciso trabalhar estrategicamente a Black Friday, para que ela movimente o estoque sem corroer margens. “A Black Friday é a hora de queimar o que não vendeu no restante do ano. Para itens que estão girando, não faz sentido queimar margem, então faça parcerias com os fornecedores para promover itens estratégicos. Além disso, cuide da tecnologia, da equipe e da entrega, pois é um dia de final de campeonato”, aconselha Terra. Para Edmour Saiani, envolver as pessoas é fundamental. “A equipe precisa estar muito bem motivada, abraçando a causa do varejo. Por isso, seja muito transparente com o time e leve para o PDV o pessoal do escritório. Você precisa estar preparado para o grande fluxo de clientes que receberá”, comenta.

Para os especialistas, nesta época do ano o varejo perde vendas por ter equipes mal preparadas, por não contar com sistemas que suportem o volume de transações e por ruptura. “Não posso chegar ao dia 26 afogado no estoque, mas também não posso ficar sem produto no dia 19”, diz Terra. Para ele, isso se resolve com bom planejamento comercial (com base no histórico de vendas por loja), com fornecedores que consigam repor o estoque rapidamente para evitar rupturas e com a preparação da loja para tornar a compra mais prática. “Ninguém garimpa um presente no Natal. Por isso, monte kits, dê sugestões, facilite a busca do cliente. Praticidade gera vendas adicionais”, afirma.

Nessa época de movimento intenso, vale a pena trabalhar de forma especial os clientes mais importantes. “Faça uma pré-Black Friday ou um pré-Natal para seus VIPs. Eles serão tratados de uma forma diferente do que ocorreria nos dias mais quentes e perceberão que são especiais. Isso gera resultados para o ano que vem também”, comenta Saiani. “Se você tratar mal o cliente no Natal, perderá ele para o ano que vem. Então cuide muito bem do cliente e crie mecanismos para ele voltar em outra ocasião”, recomenda.

O que muda no varejo com a reforma trabalhista?

Para o varejo, mudanças formalizam relações de trabalho que já existem e não pagam impostos, como os “bicos”

 

Chegou a data esperada por empresários e vista com receio por empregados: neste sábado entra em vigor a reforma trabalhista, que altera cerca de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, em busca de aumento de produtividade e empregos. Coube ao ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, fazer um pronunciamento em rede aberta de rádio e TV na noite de ontem para convencer os brasileiros que o governo tem um plano para alavancar o país.

A reforma tem inquestionável importância econômica, mas cumpriu um papel sobretudo político. Passado o escândalo da delação de executivos do grupo J&F, o enfraquecido governo do presidente Michel Temer buscava desesperadamente uma agenda positiva para chamar de sua. O alvo foi a reforma trabalhista, uma pauta defendida por empresários há muitos anos. Àquela altura, a arapuca montada por Joesley Batista, que gravou o presidente, ainda era viva no noticiário.

No dia 29 de junho, Temer enviou uma carta aos senadores, prometendo corrigir quaisquer distorções e polêmicas no texto da reforma trabalhista para que ela fosse aprovada pela Casa a toque de caixa. “Quero aqui reafirmar o compromisso de que os pontos tratados como necessários para os ajustes (…) serão assumidos pelo governo, se esta for a decisão final do Senado da República”. No dia 11 de julho, a reforma foi aprovada no Senado para, dois dias depois, ser sancionada pelo presidente.

Passados 120 dias da sanção presidencial, a reforma trabalhista entra em vigor neste sábado. Advogados trabalhistas, associações de classe e oposicionistas ao governo dizem que o texto em vigor é demasiadamente aberto e abrirá espaço para insegurança jurídica. Até porque até hoje não se sabe se o texto aprovado é de fato o que valerá na prática.

Na tarde de sexta-feira, o G1 publicou reportagem com alguns pontos que o governo pretende mexer via projeto de lei. A informação não foi confirmada à reportagem pela Casa Civil nem pelo Palácio do Planalto. O governo, segundo o G1, promete estabelecer o regime 12 por 36 horas apenas para o setor de saúde ou mediante a aprovação em convenção coletiva, que trabalhadores em regime intermitente que fixarem contratos de tempo indeterminado possam retirar 80% do FGTS e tenham carência de 18 meses para voltar a prestar serviço para a contratante e retira a possibilidade de fixar contratos de exclusividade com trabalhadores autônomos, o que criaria ajuste para a “pejotização”.

Ao deixar de cumprir o que prometeu, alterando o texto antes de a lei entrar em vigor, Temer deu um prato cheio à oposição. Com a hashtag #NósAvisamos, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) fez uma contagem regressiva em suas redes sociais do primeiro ao 120º dia em que o peemedebista “enganou o Senado” e não apresentou as MPs. “A lei é abrangente nos artigos sobre gestantes e lactantes em local insalubre, deveria impor limites para o trabalho intermitente, para a jornada de trabalho de 12 por 36 horas, dar garantia à participação sindical nas negociações coletivas, desvincular o valor salarial para indenização por danos extrapatrimoniais”, diz Grazziotin a EXAME.

O fato é que as incertezas são tantas que os efeitos benéficos da lei para aumentar a produtividade das companhias devem ser postergados. As movimentações das empresas devem esperar as primeiras interpretações de juízes do trabalho. Apesar de inúmeros pontos benéficos para modernizar as relações trabalhistas no país, a nova lei entra em vigor sem cumprir o que prometia: acelerar com urgência as contratações no país. A segunda-feira deve ser como outra qualquer.

Geração de empregos

A crise econômica colocou o Brasil em uma das piores situações de desemprego da história recente. Desde que iniciou a escalada, em trimestres da pesquisa Pnad Contínua do IBGE, passou de 6,5% de outubro a dezembro de 2014 até o pico de 13,7% de janeiro a março deste ano. Dali, passou a diminuir lentamente, chegando ao terceiro trimestre deste ano em 12,4%.

Apesar da reação, as plataformas de emprego criadas são majoritariamente informais. “O desemprego cai à medida que aumenta a geração de vagas sem carteira ou por conta própria. Na outra ponta, o trabalho com carteira assinada está nos menores níveis da série histórica”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, em entrevista coletiva na divulgação dos resultados.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, é quem mede o crescimento de vagas formais. O balanço para setembro teve saldo positivo de 34.400 vagas criadas, sexto aumento consecutivo neste ano. Mesmo com melhora, os avanço são modestos e o acumulado em 12 meses está negativo em 466.000 cargos.

Segundo empresários, a modernização das regras da CLT criam um ambiente mais competitivo, com a diminuição dos pesados encargos trabalhistas, além de dar segurança jurídica ao empregador. A junção de fatores, junto com a retomada do consumo das famílias, geraria caixa para investir e contratar. “Vemos vários benefícios para o trabalhador. Pode fracionar férias e negociar condições de trabalho específicas. Pode combinar trabalhar de casa”, diz Sylvia Lorena, gerente executiva de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria, em entrevista a EXAME. “A resistência acontece porque tudo que é novo mexe um pouco com os ânimos, mas uma leitura atenta da lei mostra que ela busca o diálogo, aproximar o trabalhador da empresa e buscar soluções de consenso. Cabe aos sindicatos lutar pelo interesse das categorias”.

O setor industrial e de varejo, diz a Pnad Contínua do IBGE, são dois dos setores que mais criaram empregos. Também dois dos quais mais empolgados com a entrada em vigor da reforma trabalhista, sob a égide de criação de novas vagas com a flexibilização das regras. A indústria de transformação gerou 25.700 novos postos de trabalho e o comércio, outros 15.000. EXAME entrou em contato com cinco empresas entre as com maior força de trabalho no setor – BRF, Chevrolet, Mercedes-Benz, Natura e Volkswagen – e nenhuma quis comentar o que mudará na cultura de contratação depois da reforma trabalhista.

Nas entidades que representam os setores, o clima é de animação. Para Antonio Megale, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o número de ações trabalhistas é um dos fatores que engessam as contratações em um momento que o mercado automotivo vai lentamente retomando vigor. Em coletiva na quinta-feira, a associação anunciou que a produção de veículos no Brasil, em outubro, subiu 42,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. O número de vagas, contudo, cresceu apenas 2,5% e o nível de ociosidade das fábricas é de quase 50%.

“A reforma vai resolver problemas que, teoricamente tínhamos resolvido com os sindicatos na mesa de negociação, mas fomos punidos nos tribunais. Houve empresas processadas por retirar 15 minutos do almoço dos funcionários mesmo que o trato tenha sido feito na convenção”, diz a EXAME. “O nível de conversa entre empresas e sindicatos é de uma maturidade muito grande. Entre as partes conseguimos chegar ao que é de melhor para ambos”.

O sentimento é parecido nas empresas de varejo. “Encontramos demanda de trabalho intermitente também nos trabalhadores, ou por aqueles que precisam complementar a renda ou pelos que estudam e não podem cumprir o regime de 44 horas semanais. Tudo será pago com pisos de remuneração proporcionais”, diz Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. “O bico existe há anos, não recolhe fundo de garantia e impostos. Agora, temos uma forma nova de formalizar esse trabalho”.

Nenhuma das empresas ou associações, contudo, consegue mensurar o número de vagas que serão criadas ou a possibilidade de investimento que a reforma trará no curto prazo. O motivo, novamente, é a desaparição do governo, pois a segurança jurídica que se promete poder ser revertida a qualquer tempo.

Insegurança jurídica?

Projetos de lei, como o que o governo pretende enviar para alterar a nova lei trabalhista, não têm um tempo mínimo ou máximo para serem aprovados. Mesmo que a expectativa do governo prospere, o país deve viver um limbo entre a entrada em vigor da reforma trabalhista e a chegada dos ajustes. Os senadores seguem em lobby para que as correções sejam feitas por medida provisória, que entram em vigor imediatamente. Nesse meio tempo, o ritmo de eficácia das novas medidas será ditada pela Justiça do Trabalho.

“A lei tem falhas técnicas que deixam mais dúvidas que certezas. Virou uma insegurança jurídica maior do que tentou sanar”, diz a EXAME a juíza do trabalho e presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 1ª Região, Cléa Couto. “Para estudar a lei, a associação fez uma jornada de interpretação para direcionar minimamente o entendimento do texto, mas os juízes são livres para interpretar, seguir ou não. Essa autonomia é uma garantia da categoria”.

Para a magistrada, a saída para reduzir a “judicialização” é o fortalecimento dos sindicatos para que o “acordado sobre legislado”, dispositivo em que o acordo coletivo sobrepõe o texto da lei faça esse equilíbrio. “Estavam confortáveis com o imposto sindical, mas agora são fundamentais”, diz. O pagamento obrigatório às centrais sindicais é mais um ponto que caiu na reforma trabalhista. Todo trabalhador registrado era obrigado a pagar um dia de trabalho aos representantes de classe.

“Há um receio geral de como as questões de dia a dia vão funcionar. As normas coletivas têm um leque aberto do que pode ou não ser tratado”, afirma Clarisse de Souza Rosales, especialista em Direito trabalhista e sócia do escritório Andrade Maia. “Ninguém pode ou vai agir em um campo nebuloso”.

A situação confusa causa preocupação. O Sindicato da Micro e Pequena Indústria encomendou uma pesquisa ao Datafolha para medir o grau de entendimento dos empresários do setor em relação às novas leis. O resultado é assustador: somente 16% das micro e pequenas indústrias conhecem a fundo as mudanças. “Na prática, os 120 dias [entre aprovação da lei e sua entrada em vigor] deveriam ter sido aproveitados. Quais serão as novas regras? O que o Judiciário vai fazer?”, diz Joseph Couri, presidente da entidade. “O incremento de empregos vai acontecer em menor velocidade por conta dessa incerteza”.

Fonte: Exame